PEDRO BIAL
Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro
seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência,
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da
juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude
até que tenham se apagado.
Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,
E perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia,
Quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente.
E como você realmente estava com tudo em cima,
Você não está gordo ou gorda...
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que
pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar
resolver uma
equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada,
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos
vinte e dois
o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda
não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas
bodas de diamante.
Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você,
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio
Refrão: Brother and Sister
Together we'll make it trough
Someday a spirit will take you
And guide you there
I know you've be hurting
But I've been waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can
Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles
terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu
passado e
possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns
poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,
Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.
E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,
E as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!!
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo,
esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas, no filtro solar, acredite.
Pedro Bial
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
QUANDO OS FILHOS CRESCEM E NÃO BRINCAM MAIS COM OS PAIS, A COMPENSAÇÃO É ENTRAR NA BRINCADEIRA COM OS NETOS.
(encontrei esta cronica numa comunidade sem nome do autor)
Quando chega o envelhecimento você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava.
Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor.
Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos com seus problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda. Aí dá aquele sentimento de maior abandonado e um gostinho de ingratidão, eles não tem tempo pra pensar na sua dedicação.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice.
São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Quando chega o envelhecimento você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava.
Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor.
Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos com seus problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda. Aí dá aquele sentimento de maior abandonado e um gostinho de ingratidão, eles não tem tempo pra pensar na sua dedicação.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice.
São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O Mistério das Cousas
(Fernando Pessoa)
...
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
...
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
TINO GUERREIRO (QUE MAIS NINGUÉM DA MINHA FAMÍLIA TENHA QUE VOAR ASSIM)
João Almeida
São Paulo, 15 de setembro de 2010
Eu vou contar uma estória de um menino que um dia partiu pra longe, pra muito longe....Em terras estranhas o menino se perdeu e se encontrou várias vezes. A noite ficava num cantinho pensando nessa viagem um pouco maluca que fez, deixando pra trás dois pinguinhos de gente, duas filhinhas muito queridas, pai, mãe, irmãos e seu chão original. Pensava, pensava, até que um dia de madrugada pelo seu pensamento Jesus chegou e conversou com ele, compadecido do clamor do seu coração.
---Filho! Vá ser carpinteiro como meu pai!
O menino respondeu:
----Mas eu não sei nada dessa profissão!
---- Me leve com você que eu te ajudo....
E assim, o menino foi... entrou numa loja e se apresentou. Embaraçado naturalmente , Jesus lhe ajudou dando paciência ao gerente, e assim o menino encontrou como sobreviver. E o menino se renovou, e Jesus não lhe deixou mais... Deu-lhes um bocado de boas companhias, amigos, amigas e principalmente fé. Encontrou ali pertinho parentes e uma convivência feliz.
Mas o menino estava só, com saudades... Aí Jesus lhe deu uma esposa. Ajeitaram uma casinha e se amaram, e se amam...
Aí Jesus achou pouco....e preparou uma menina, uma criança pra eles! Maria Elisa.
Apesar das vitórias, estou testemunhando a rotina deste menino, debruço na varanda da sua casinha e refaço seus passos, volto ao passado e venho correndo para medir as diferenças. À meus outros meninos, irmãos, que completavam a alegria minha e de Maria, dou este testemunho, para que observem a parte rompida do elo, dos laços que nos atam, de um pássaro que bateu asas com uma plumagem e que mudou as “penas” e literalmente a sua identidade...
Virou pra mim um exemplo, mudar em condições tão adversas em vez de descer mais, enquanto outros ex-companheiros, em ambientes sociais elitizados, sem conhecer fome nem sede exibem um perfil ilusório e vão descendo dia a dia as escadas que idiguinidade construiu.
Meu menino sai as pressas, com uma roupinha surrada de acordo sua atividade de simples operário e trabalha duro, e chega em casa sorrindo, agora mais ainda que pode usar novamente a expressão:
PAPAI CHEGOU! PAPAI CHEGOU!
Tudo direitinho na sua casinha...
Principalmente a sua fé em Deus.
São Paulo, 15 de setembro de 2010
Eu vou contar uma estória de um menino que um dia partiu pra longe, pra muito longe....Em terras estranhas o menino se perdeu e se encontrou várias vezes. A noite ficava num cantinho pensando nessa viagem um pouco maluca que fez, deixando pra trás dois pinguinhos de gente, duas filhinhas muito queridas, pai, mãe, irmãos e seu chão original. Pensava, pensava, até que um dia de madrugada pelo seu pensamento Jesus chegou e conversou com ele, compadecido do clamor do seu coração.
---Filho! Vá ser carpinteiro como meu pai!
O menino respondeu:
----Mas eu não sei nada dessa profissão!
---- Me leve com você que eu te ajudo....
E assim, o menino foi... entrou numa loja e se apresentou. Embaraçado naturalmente , Jesus lhe ajudou dando paciência ao gerente, e assim o menino encontrou como sobreviver. E o menino se renovou, e Jesus não lhe deixou mais... Deu-lhes um bocado de boas companhias, amigos, amigas e principalmente fé. Encontrou ali pertinho parentes e uma convivência feliz.
Mas o menino estava só, com saudades... Aí Jesus lhe deu uma esposa. Ajeitaram uma casinha e se amaram, e se amam...
Aí Jesus achou pouco....e preparou uma menina, uma criança pra eles! Maria Elisa.
Apesar das vitórias, estou testemunhando a rotina deste menino, debruço na varanda da sua casinha e refaço seus passos, volto ao passado e venho correndo para medir as diferenças. À meus outros meninos, irmãos, que completavam a alegria minha e de Maria, dou este testemunho, para que observem a parte rompida do elo, dos laços que nos atam, de um pássaro que bateu asas com uma plumagem e que mudou as “penas” e literalmente a sua identidade...
Virou pra mim um exemplo, mudar em condições tão adversas em vez de descer mais, enquanto outros ex-companheiros, em ambientes sociais elitizados, sem conhecer fome nem sede exibem um perfil ilusório e vão descendo dia a dia as escadas que idiguinidade construiu.
Meu menino sai as pressas, com uma roupinha surrada de acordo sua atividade de simples operário e trabalha duro, e chega em casa sorrindo, agora mais ainda que pode usar novamente a expressão:
PAPAI CHEGOU! PAPAI CHEGOU!
Tudo direitinho na sua casinha...
Principalmente a sua fé em Deus.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
AINDA QUERO MOSTRAR MEU SORRISO
João Almeida
Eu do meu canto quero o que?
Muita coisa que não tem volta apenas passa pela memória, eu já sei...
Mas era tão bom ter voz, ser bem ouvido, participar e decidi.... os resultados nem sempre eram os esperados, mas tinham confiança em mim....sempre fui bem lembrado.
Quando arrumei a mala e saí pelo portão azul, porque já era tempo, deveria ter registrado tudo, não fiz...talvez por sentir que o portão nunca se fechasse de vez. Assim, lá dentro ficaram tantos, tantos queridos!
No início uns telefonemas, convites para ir sentar na roda de gargalhadas, depois como se cada um viajasse, a separação.
Agora já não dá para fundar um clube agregando aquela turma boa, no mais é ser uma pessoa extranha e ir pedindo paciência à família, ou entendendo as ausências, afinal todos tem mais o que fazer. Cada um tem seu pedaço de solidão na aposentadoria, é como ver um estádio esvaziar e ficar sozinho na arquibancada assistindo o último jogador desaparecer no túnel.
Aposentadoria!.... pois sim...
Queimam-se valiosos arquivos, é certo que se abre novas páginas, mas nelas não está o palhaço, nem o riso de tantos, de modo que não é justo ironizar algo meio triste que digo ou que faço, talvez o que falte é ouvir uma boa piada e quem se interesse ser o “palhaço” pra mim.
Eu tentei fazer o mundo rir....
“O CIRCO FOI EMBORA PROMETENDO VOLTAR, MAS NUNCA MAIS VOLTOU. MAS NA VIDA É ASSIM MESMO, QUANTA COISA VAI EMBORA E NUNCA MAIS VOLTA.”.
.
Eu do meu canto quero o que?
Muita coisa que não tem volta apenas passa pela memória, eu já sei...
Mas era tão bom ter voz, ser bem ouvido, participar e decidi.... os resultados nem sempre eram os esperados, mas tinham confiança em mim....sempre fui bem lembrado.
Quando arrumei a mala e saí pelo portão azul, porque já era tempo, deveria ter registrado tudo, não fiz...talvez por sentir que o portão nunca se fechasse de vez. Assim, lá dentro ficaram tantos, tantos queridos!
No início uns telefonemas, convites para ir sentar na roda de gargalhadas, depois como se cada um viajasse, a separação.
Agora já não dá para fundar um clube agregando aquela turma boa, no mais é ser uma pessoa extranha e ir pedindo paciência à família, ou entendendo as ausências, afinal todos tem mais o que fazer. Cada um tem seu pedaço de solidão na aposentadoria, é como ver um estádio esvaziar e ficar sozinho na arquibancada assistindo o último jogador desaparecer no túnel.
Aposentadoria!.... pois sim...
Queimam-se valiosos arquivos, é certo que se abre novas páginas, mas nelas não está o palhaço, nem o riso de tantos, de modo que não é justo ironizar algo meio triste que digo ou que faço, talvez o que falte é ouvir uma boa piada e quem se interesse ser o “palhaço” pra mim.
Eu tentei fazer o mundo rir....
“O CIRCO FOI EMBORA PROMETENDO VOLTAR, MAS NUNCA MAIS VOLTOU. MAS NA VIDA É ASSIM MESMO, QUANTA COISA VAI EMBORA E NUNCA MAIS VOLTA.”.
.
MINHA LUA AZUL!
João Almeida
07de junho de 2010
Sei que quase ninguém vai acreditar que ontem eu e meus pensamentos nos encontramos com uma lua azul. Talvez Victor, Júlia acreditem, Matheus e Carol de jeito nenhum, e entre gargalhadas afirmarão:
Vovô está doido!
Maria, Iraci, Carla ,Tino e Jota desconversarão introduzindo no papo a escalação da seleção brasileira. Mas eu vi, eu vi a lua azul... o momento mais empolgante foi quando ela se escondeu atrás de uma nuvem de algodão e surgiu mais encantadora depois de uns minutinhos
Fiquei com o pescoço doendo de olhar para o céu, sabe! Me recostei na cadeira adormeci e sonhei....
No sonho fiquei criança mais ou menos do tamanho de Carol, e logo me meti no meio das brincadeiras deles. Na confusão do sonho hora nós corríamos pela sala da casa de Carla, noutras no corredor da casa de Jota e até embarcamos num trem em Osasco rumo a estação Carapicuíba, e por fim fomos parar na sombra da mangueira do Recanto Verde.
Não esqueçam que no sonho eu era criança e até tomei banho de mangueira e tomei pito de vovó Maria porque não queria dá a vez a Matheus. É , meu sonho trouxe Matheus e Victor para o sítio e se não tivesse na hora da lua azul desaparecer eu ia encolher todo mundo.... Carla, Tino, Iraci e Jota. Só deixava grande Maria pra tomar conta da gente.
Acorda! Menino velho!
Mas! e a minha lua azul?
Baboseiras! Hoje eu estou um pouquinho Ziraldo, do “Menino Maluquinho”.
Luto para aceitar que lembrar é saudável, que o importante é a realidade do presente, mas não é fácil sentir saudades sem sentir dor...
Andei pensando no reencontro de Maria com sua amiga de adolescência Dilail. Reencontro não, um achado! Graças a internet elas não precisaram ir para praça da Piedade participar do programa; “Procurando desaparecidos”. O que mais me entusiasma no reencontro foi o peso, a valorização da amizade que envolveu a nós todos. Como nem todo mundo tem a mesma sorte.... Aquela turma boa não era pra vida toda, demandaram outros caminhos É que é bom ter amigos, as coisa nunca serão realmente assustadora se você tiver um bom amigo.
Assim, sinto falta de Rubens... quantas gargalhadas, como era iluminado os nossos momentos. Mauro.... Gaucho moleque, assim que puder vou no Centro Gaucho com Maria, quem sabe eu não encontre meu amigo. Zé Maria! Fazia questão de mim, as vezes de pé, no “pé do balcão. Bem, podem até achar que aconteceu uma fuga, as vezes a gente fica desinteressante e principalmente para o novo. Pois então ? é por isso que só eu consigo ver, a minha lua azul.
07de junho de 2010
Sei que quase ninguém vai acreditar que ontem eu e meus pensamentos nos encontramos com uma lua azul. Talvez Victor, Júlia acreditem, Matheus e Carol de jeito nenhum, e entre gargalhadas afirmarão:
Vovô está doido!
Maria, Iraci, Carla ,Tino e Jota desconversarão introduzindo no papo a escalação da seleção brasileira. Mas eu vi, eu vi a lua azul... o momento mais empolgante foi quando ela se escondeu atrás de uma nuvem de algodão e surgiu mais encantadora depois de uns minutinhos
Fiquei com o pescoço doendo de olhar para o céu, sabe! Me recostei na cadeira adormeci e sonhei....
No sonho fiquei criança mais ou menos do tamanho de Carol, e logo me meti no meio das brincadeiras deles. Na confusão do sonho hora nós corríamos pela sala da casa de Carla, noutras no corredor da casa de Jota e até embarcamos num trem em Osasco rumo a estação Carapicuíba, e por fim fomos parar na sombra da mangueira do Recanto Verde.
Não esqueçam que no sonho eu era criança e até tomei banho de mangueira e tomei pito de vovó Maria porque não queria dá a vez a Matheus. É , meu sonho trouxe Matheus e Victor para o sítio e se não tivesse na hora da lua azul desaparecer eu ia encolher todo mundo.... Carla, Tino, Iraci e Jota. Só deixava grande Maria pra tomar conta da gente.
Acorda! Menino velho!
Mas! e a minha lua azul?
Baboseiras! Hoje eu estou um pouquinho Ziraldo, do “Menino Maluquinho”.
Luto para aceitar que lembrar é saudável, que o importante é a realidade do presente, mas não é fácil sentir saudades sem sentir dor...
Andei pensando no reencontro de Maria com sua amiga de adolescência Dilail. Reencontro não, um achado! Graças a internet elas não precisaram ir para praça da Piedade participar do programa; “Procurando desaparecidos”. O que mais me entusiasma no reencontro foi o peso, a valorização da amizade que envolveu a nós todos. Como nem todo mundo tem a mesma sorte.... Aquela turma boa não era pra vida toda, demandaram outros caminhos É que é bom ter amigos, as coisa nunca serão realmente assustadora se você tiver um bom amigo.
Assim, sinto falta de Rubens... quantas gargalhadas, como era iluminado os nossos momentos. Mauro.... Gaucho moleque, assim que puder vou no Centro Gaucho com Maria, quem sabe eu não encontre meu amigo. Zé Maria! Fazia questão de mim, as vezes de pé, no “pé do balcão. Bem, podem até achar que aconteceu uma fuga, as vezes a gente fica desinteressante e principalmente para o novo. Pois então ? é por isso que só eu consigo ver, a minha lua azul.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
TIA GLADYS
MIGUEL FALABELA
Ela nos mostrou janelas que se abriam para janelas, como se profetizasse o futuro na sua maneira de contar histórias
Dia desses, o grande arquiteto espanhol Santiago Calatrava fez uma apresentação de seu belo projeto para o Museu do Amanhã, marcando o início da revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Em dado momento, ele usou um retroprojetor e começou a mostrar, através de croquis, a gênese de seu projeto. Com um movimento ágil, ele traçou as curvas da baía, os morros, a praça Mauá, restabeleceu a relação da cidade com o mar, roubada naquela área pela horrenda e inexplicável perimetral, e nos encheu de um orgulho tão necessário nesses dias que correm. Foi de uma simplicidade e clareza admiráveis e a plateia assistiu encantada às imagens que iam brotando do traço elegante do artista, na tela que dominava a cena. Regina Casé estava sentada ao meu lado e depois me disse, quase um segredo, que tinha se lembrado de tia Gladys e do encantamento que o programa causava em toda a nossa geração.
Tia Gladys e seus bichinhos era o programa infantil da minha primeira infância. Na velha televisão em preto e branco, um móvel que imperava no centro da sala, eu e meus irmãos assistíamos encantados às histórias que a mulher loura e educada ia contando e, delícia suprema, rabiscando nas paredes brancas do estúdio. A ela era permitido rabiscar nas paredes, eu pensava, e me encantava com as histórias do sapo Godô e da formiguinha Gilda que, não por acaso, emprestava o nome ao maternal que eu frequentava. Ainda tenho guardada em algum lugar uma foto com a jardineira azul da escola.
Saí do píer imediatamente tomado pelas lembranças daquelas tardes aprisionadas no tempo, quando a vida era de uma simplicidade mágica. Nossa maior aventura era uma corrida até o trilho do bonde para abandonar ali uma garrafa de cerveja vazia que, mais tarde, devidamente triturada, serviria de base para o cerol que tornaria nossas pipas invencíveis nos combates aéreos. Mas isto era transgressão punida severamente e nem todos tinham coragem de se arriscar em tal empreitada. Isso era tudo. Não havia grandes eventos, a infância era pobre de coisas e plena de sonhos, porque havia a ideia de que uma folha em branco e um pedaço de carvão eram o bastante para libertar a mente das amarras do cotidiano e não foi à toa que a imagem da apresentadora ocorreu à atriz, assim que o arquiteto espanhol começou a nos deslumbrar com seu amoroso olhar para o Rio.
Não sei quanto tempo durou Tia Gladys e seus bichinhos. Acho que era na Excelsior, cujo jingle eu ouço agora, puxado do arquivo: “Do 2 eu não saio, nem eu, nem ninguém. Ninguém sai do 2, nem eu nem meu bem”. Não sei a quantas edições do mesmo eu assisti, mas acredito que uma única experiência já teria sido o bastante, porque a mensagem era clara para as crianças da minha geração. Ela nos mostrou janelas que se abriam para janelas, como se profetizasse o futuro na sua maneira de contar histórias. A nós foi oferecida uma tela branca que é o começo de tudo, ou um quarto escuro em que se acenda a luz para encontrar a personagem. Não importa. Tia Gladys nos oferecia não só a origem, mas a semente da criação e da possibilidade.
Nunca poderemos lhe agradecer o bastante.
Ela nos mostrou janelas que se abriam para janelas, como se profetizasse o futuro na sua maneira de contar histórias
Dia desses, o grande arquiteto espanhol Santiago Calatrava fez uma apresentação de seu belo projeto para o Museu do Amanhã, marcando o início da revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Em dado momento, ele usou um retroprojetor e começou a mostrar, através de croquis, a gênese de seu projeto. Com um movimento ágil, ele traçou as curvas da baía, os morros, a praça Mauá, restabeleceu a relação da cidade com o mar, roubada naquela área pela horrenda e inexplicável perimetral, e nos encheu de um orgulho tão necessário nesses dias que correm. Foi de uma simplicidade e clareza admiráveis e a plateia assistiu encantada às imagens que iam brotando do traço elegante do artista, na tela que dominava a cena. Regina Casé estava sentada ao meu lado e depois me disse, quase um segredo, que tinha se lembrado de tia Gladys e do encantamento que o programa causava em toda a nossa geração.
Tia Gladys e seus bichinhos era o programa infantil da minha primeira infância. Na velha televisão em preto e branco, um móvel que imperava no centro da sala, eu e meus irmãos assistíamos encantados às histórias que a mulher loura e educada ia contando e, delícia suprema, rabiscando nas paredes brancas do estúdio. A ela era permitido rabiscar nas paredes, eu pensava, e me encantava com as histórias do sapo Godô e da formiguinha Gilda que, não por acaso, emprestava o nome ao maternal que eu frequentava. Ainda tenho guardada em algum lugar uma foto com a jardineira azul da escola.
Saí do píer imediatamente tomado pelas lembranças daquelas tardes aprisionadas no tempo, quando a vida era de uma simplicidade mágica. Nossa maior aventura era uma corrida até o trilho do bonde para abandonar ali uma garrafa de cerveja vazia que, mais tarde, devidamente triturada, serviria de base para o cerol que tornaria nossas pipas invencíveis nos combates aéreos. Mas isto era transgressão punida severamente e nem todos tinham coragem de se arriscar em tal empreitada. Isso era tudo. Não havia grandes eventos, a infância era pobre de coisas e plena de sonhos, porque havia a ideia de que uma folha em branco e um pedaço de carvão eram o bastante para libertar a mente das amarras do cotidiano e não foi à toa que a imagem da apresentadora ocorreu à atriz, assim que o arquiteto espanhol começou a nos deslumbrar com seu amoroso olhar para o Rio.
Não sei quanto tempo durou Tia Gladys e seus bichinhos. Acho que era na Excelsior, cujo jingle eu ouço agora, puxado do arquivo: “Do 2 eu não saio, nem eu, nem ninguém. Ninguém sai do 2, nem eu nem meu bem”. Não sei a quantas edições do mesmo eu assisti, mas acredito que uma única experiência já teria sido o bastante, porque a mensagem era clara para as crianças da minha geração. Ela nos mostrou janelas que se abriam para janelas, como se profetizasse o futuro na sua maneira de contar histórias. A nós foi oferecida uma tela branca que é o começo de tudo, ou um quarto escuro em que se acenda a luz para encontrar a personagem. Não importa. Tia Gladys nos oferecia não só a origem, mas a semente da criação e da possibilidade.
Nunca poderemos lhe agradecer o bastante.
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