sexta-feira, 9 de novembro de 2007
FRUSTAÇÃO
Outono: essas folhas que tombam na água parada dos tanques e não podem sair viajando pelas correntezas do mundo...
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
RURAL
José Inácio Vieira de Melo
Eu vou para roça, ajudar o dia a amanhecer
chamar os bezerros pelos nomes de suas mães
e ver a vacaria apojar
e sentir a chuva de leite em meus olhos.
(...) Eu vou para a roça, começar o dia com um sorriso.
Meu cavalo e eu — Centauro do Sertão —
sairemos campo afora
apascentando a boiada, o milharal, o açude.
E os cajus haverão de destravar as fronteiras
e ouvirei o canto das patativas se estender até Assaré
e me entenderei com as beldroegas
e compreenderei a labuta das formigas (...).
sábado, 3 de novembro de 2007
BOBAGENS
João Almeida
Outro dia, estava triste...
Então chorei até a barriga doer.
Depois fui andando.
com as pernas,
com os olhos e os pensamentos,
e aí comecei a sorrir.
A sorrir,
em belas gargalhadas
do que me disse
um palhaço invisível
numa anedota bem contada.
Não, não vou lhe contar
Ora, ora, você não riria
como eu
e até poderia ficar sem graça,
você e a piada.
Um palhaço invissivel,
Um velho barbudo,
uma menina andando aos pulos
gente que encontro por aí
andando com meus pensamentos...
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
O SILENCIO QUE MATA
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
orque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
- Maiakavski -
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram os desempregados
Mas como tenho emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde,
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Penas do Tié
Pena Branca e Xavantinho
Vocês já viram lá na mata a cantoria
Da passarada quando vai anoitecer
E já ouviram o canto triste da araponga
Anunciando que na terra vai chover
Já experimentaram guabiroba bem madura
Já viram as tardes quando vai anoitecer
E já sentiram das planícies orvalhadas
O cheiro doce da frutinha muçambê
Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo
E tem na boca a cor das penas do tié
Quando ele canta os passarinhos ficam mudos
Sabe quem é o meu amor, ele é você
Você, você, você
domingo, 14 de outubro de 2007
PÉS NO CHÃO
Noutro dia estava estirado no sofá da sala, escutando cabelo crescer, como costumo fazer, e pensei: "há quanto tempo não ponho meus pés na terra!" Nossa! Mas tem tempo mesmo!
E pensar que eu fui um guri que cresceu andando descalço, criando cascão na sola... Hoje, se eu correr sem sapatos num gramado vai cortar a sola dos pés feito eu estivesse pisando em giletes.
Talvez até seja desconfortável eu botar a lancha no chão cru... Mas ainda quero fazer isso. E há de ser em breve. Temos chacras importantes na sola dos pés que precisam carregar/descarregar energias na terra.
Tem tanta coisa que eu fazia e deixei de fazer... Jogar futebol, subir em árvore, comer fruta no pé, jogar pedra na superfície de um lago e vê-la quicar no mínimo três vezes...
Com o tempo, a gente larga velhos hábitos e adquire novos, mas aí bate uma tremenda saudade dos antigos...
O sol pálido deixou sobre minha mesa algumas pequenas sementes de luz
Queria saber a magia exata que fizesse germiná-las.
Então eu guardaria no olhar o brilho dessas pétalas luminosas.
E quando eu novamente te visse
Teria só pra você um buquê nos olhos de moleque tímido.
(poema que eu fiz não sei quando, dedicado a não sei quem...)
É... Preciso botar os meus pés no chão. Sentir a energia do solo. Mas não consigo tirar a cabeça das nuvens... E o meu coração, que paira entre o céu e a terra, acende um farol para as gentes, e bate as asas de pássaro no rumo do sol. Porque amanhã sempre será um novo dia...
terça-feira, 9 de outubro de 2007
ONDE ESTÃO OS ARCOS-ÍRIS

João Almeida
Ontem,
um Arco-íris
apoiado na beira do rio
bebia água.
A água subia por suas veias
coloridas e eram despejadas
nas nuvens.
Arco-íris da minha infância
fazia chover
no entardecer silencioso
daqueles tempos...
Hoje,
parece que vazaram
as veias dos arcos-íris
e suas cores esparramadas
pelo tempo se apagaram,
deixando um traço no céu
mais triste do que “flicts”
Que tempos são estes?...
Obs: Flicts é uma cor criada por Ziraldo num dos seus poemas inocente e lindo:
"Era uma vez uma cor
muito rara e muito triste
que se chamava Flicts...
Tudo no mundo tem cor
tudo no mundo é
azul
cor de rosa
ou furta cor,
é vermelho ou amarelo.
Quase tudo tem seu tom,
roxo, violeta ou lilás.
Mas não existe no mundo
nada que seja Flicts.
---nem a sua solidão....
Obs. Gostaria de transcrever todo poema, mas no momento é o que me lembro, o restante ficou no livro lá onde eu espero ainda admirar muitos arcos-íris, meu querido Recanto Verde.