quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O SILENCIO QUE MATA

- Bertold Brencht


Na primeira noite, eles se aproximam

e colhem uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada

Na segunda noite, já não se escondem,

pisam as flores, matam o nosso cão.

E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra

sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,

e, conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

orque não dissemos nada,

já não podemos dizer nada.

- Maiakavski -

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram os desempregados

Mas como tenho emprego

Também não me importei

Agora estão me levando

Mas já é tarde,

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo


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