DE AUTOR DESCONHECIDO
“O meu sonho na vida era ter o poder de ser um videocassete de mim mesmo.
Ter o controle remoto que me permitisse renascer experiências vividas.
Eu poderia voltar no tempo, acelerar, pular cenas dos próximos capítulos.
Parar a imagem num momento que me tivesse sido glorioso, vivê-lo outra vez.
Talvez, eternizar um orgasmo.
Eu poderia correr a fita de modo a entrar na percepção do futuro ou recuar para consertar, corrigir, para confirmar.
Ah, com esse aparelhinho eu poderia criar o ideal.
Ah, o ideal.
O ideal seria que o homem nascesse com 80 anos, fosse ficando mais moço, mais moço, até morrer de infância.
Nascendo com 80 anos, aos 60 ele casaria com uma mulher de 59.
Mas com uma vantagem: a cada dia, a cada semana, a cada mês, a cada ano, ela ia ficando mais nova, mais nova, até se transformar numa gata de 20.
Depois ficariam noivos, namorados.
A Bicicleta.
O velocípede.
Desaprendiam a andar, esqueciam como engatinhar.
O voador, o cercadinho.
Do cercadinho para o berço.
As fraldas molhadas.
O peito da mãe.
Até que, num dia qualquer, pararia de respirar.
Seria o tempo correndo para trás até aparecer o último homem: Adão.
O último primeiro, a quem Deus colocaria sobre a mão e, em vez de soprar sobre ele, inspiraria o homem outra vez para dentro de si mesmo.”
quinta-feira, 29 de março de 2012
Súplica
Wilson Pereira -
Se tua vontade
É completa
Me devolva a bicicleta
Que alguém me roubou.
E, enfim,
Com teu poder divino,
Junto da bicicleta
Traga de novo o menino
Que o tempo levou de mim.
(poema inédito)
Wilson Pereira -
EM ALGUMA ESQUINA....
terça-feira, 20 de março de 2012
Somente Amor...
que a felicidade vibra,
na frequência das coisas mais simples...
como a doçura contente de um cafuné sem pressa...
como os instantes que repousamos os olhos em olhos amados...
como aquele poema que parece
como a doçura contente de um cafuné sem pressa...
como os instantes que repousamos os olhos em olhos amados...
como aquele poema que parece
que fomos nós que escrevemos...
como o toque da areia molhada sob os pés descalços...
como o sono relaxado e tranquilo
como o toque da areia molhada sob os pés descalços...
como o sono relaxado e tranquilo
que põe todos os sentidos pra dormir...
como a presença da intimidade legítima e verdadeira...
como o banho bom que devolve forças ao corpo...
como o cheiro de quem se ama...
como essas coisas...como o banho bom que devolve forças ao corpo...
como o cheiro de quem se ama...
como outras coisas...
simples assim...
Ontem eu chorei
yanla Vanzant
"Ontem eu chorei,
por todos os dias em que estive ocupada demais, ou cansada demais,
ou com raiva demais para chorar...
Chorei por todos os dias, por todas as formas e por todas as vezes que desonrei, desrespeitei e desliguei
meu EU de mim mesma ...""
"Ontem eu chorei,
por todos os dias em que estive ocupada demais, ou cansada demais,
ou com raiva demais para chorar...
Chorei por todos os dias, por todas as formas e por todas as vezes que desonrei, desrespeitei e desliguei
meu EU de mim mesma ...""
segunda-feira, 19 de março de 2012
DE TANTO ESPERAR
Maria Maria
De tanto esperar tenho teias pelo meu corpo:
aranhas, fios, lãs, besouros
todos ,
fazendo poemas e recitando dores desiguais.
Meu sangue não é azul
como o das consulesas,
meu sangue tem cor
de ausência.
Eu sei...
sei da prisão
que é ser incompleta
e da alforria que me aprisiona.
Isauras não existem
Só o tempo se desconfigura e desmancha as teias
que tenho pelo corpo, de tanto esperar!
De tanto esperar tenho teias pelo meu corpo:
aranhas, fios, lãs, besouros
todos ,
fazendo poemas e recitando dores desiguais.
Meu sangue não é azul
como o das consulesas,
meu sangue tem cor
de ausência.
Eu sei...
sei da prisão
que é ser incompleta
e da alforria que me aprisiona.
Isauras não existem
Só o tempo se desconfigura e desmancha as teias
que tenho pelo corpo, de tanto esperar!
sábado, 17 de março de 2012
ABRAÇO BOM
Ines Pedrosa
Com o passar dos anos,
o corpo pode correr menos -
mas abraça melhor, com mais vagar,
porque em cada afago florescem todos os afagos anteriores,
os reais e os sonhados.
Com o passar dos anos,
o corpo pode correr menos -
mas abraça melhor, com mais vagar,
porque em cada afago florescem todos os afagos anteriores,
os reais e os sonhados.
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