quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Favo de Mel
Sergio Mendes, Carlinhos Brown y Siedah Garret
E aí, meu rio!
Vou levando a alegria, junto carrego o amor
Dia de festa, salve a floresta
Hoje tem baile onde for
Hoje o dia está lindo, o som já nos despertou
Quando o amigo, alto cantou, toda a floresta acordou
Dentro de mim a esperança, quero aprender a voar
Esse é meu sonho, desde criança
Venha comigo
Levanta, é hora de encontrar o céu
A gente se ama, e anima o favo de mel
Levanta, é hora de encontrar encontrar o céu
A gente se ama, e anima o favo de mel
E aí, meu rio!
Vou levando a alegria, junto carrego o amor
Dia de festa, salve a floresta
Hoje tem baile onde for
Hoje o dia está lindo, o som já nos despertou
Quando o amigo, alto cantou, toda a floresta acordou
Dentro de mim a esperança, quero aprender a voar
Esse é meu sonho, desde criança
Venha comigo
Levanta, é hora de encontrar o céu
A gente se ama, e anima o favo de mel
Levanta, é hora de encontrar encontrar o céu
A gente se ama, e anima o favo de mel
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Das terras de Benvirá
O anel que tu me deste
eu quardei pra me ajudar
construi numa viola
de madeira o teu altar
o amor que tu me tinhas
eu roubei pra me salvar
toda hora em que a danada da saudade
me pega
Joema dos olho claros
bem verdes das cor do mar
me dava tanta alegria
que eu não preciso sonhar
basta me lembrar agora
das coisas que deixei lá
Joema sempre esperando
na praia do grande mar
Waldomiro das estrelas
não podia se encontrar
tinha tudo que queria
dizia tudo há pintar
olhando pro céu de frente
perdido sempre em chegar
Waldomiro das estrelas
pedia para voltar
que faço agora Maria
que faço agora diz já
de longe que eu ouço hoje
as coisas que vão voltar
em ti em ti e comigo
agora no Deus dará
das coisas de todo mundo
na vida do bendirá
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
LONGITUDES
RODRIGO DE SOUZA
a cidade cresceu
além dos limites da minha infância
subiu montanhas
engoliu pastos e bois
secou
pequenos lagos
calou
corujas e sapos
apagou vagalumes
derrubou árvores
arrancou
roseiras e pomares
bulêmica
a cidade vomita
saudade
do chão de terra que já não se vê
a cidade cresceu
além dos limites da minha infância
subiu montanhas
engoliu pastos e bois
secou
pequenos lagos
calou
corujas e sapos
apagou vagalumes
derrubou árvores
arrancou
roseiras e pomares
bulêmica
a cidade vomita
saudade
do chão de terra que já não se vê
domingo, 19 de fevereiro de 2012
uma canção antiga na língua da tarde
Nydia Bonetti
sem alarde
invade
vidraças
dissoluta atravessa cortinas
dissolve véus
vestidos
vestígios do dia - quer tocar na pele
nua
que se insinua
ao ouvir a canção - epifania - estrelas
em meio aos escombros
lua cheia - qualquer ruído será
música
sem alarde
invade
vidraças
dissoluta atravessa cortinas
dissolve véus
vestidos
vestígios do dia - quer tocar na pele
nua
que se insinua
ao ouvir a canção - epifania - estrelas
em meio aos escombros
lua cheia - qualquer ruído será
música
rebeladas penas
NIDIA BONETTI
é tanto sol
que uma pena da minha asa preguiçosa se soltou
voou leve lá fora
do meu ninho pude ver o vôo silencioso das penas
que flutuam
outras tantas se rebelam agora - mal posso contê-las
ansiosas asas se contorcem
e o vento e o sol e o vento - fui... ganhei o céu
é tanto sol
que uma pena da minha asa preguiçosa se soltou
voou leve lá fora
do meu ninho pude ver o vôo silencioso das penas
que flutuam
outras tantas se rebelam agora - mal posso contê-las
ansiosas asas se contorcem
e o vento e o sol e o vento - fui... ganhei o céu
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Quero um caderno de receitas
Adriana Alves
Quero um caderno de receitas que tenha o sabor do quintal da minha casa. Entre os ingredientes haverá um pé de manga coquinho, de abacate manteiga, de jambo amarelo na cor e rosa no perfume, de goiaba vermelha com bicho, de limão capeta e uma parreira de maracujá com flores penduradas como se estivessem sido colocadas à mão para enfeitar o olhar.
Nesse caderno haverá indicações para que a cebolinha, a salsinha, o manjericão e a alfavaca sejam colhidos na hora. A couve terá piolhos e poderá ser descoberto um caramujo no meio das folhas de alface.
Na receita de batata gratinada poderá conter indicações para que as cascas sejam colocadas ao sol em cima da terra para secar e virar adubo, fazendo as verduras crescerem de modo destemido. Um exemplo vivo que a vida é recheada de ciclos.
No meu caderno o ora-pro-nobis, o umbigo de banana, a taioba e a serraia não serão figurantes, e sim as estrelas principais. O preparo de doce de feijão poderá ser uma forma torta para medir o amor.
A descrição das porções fará referência a quantidade de pessoas nada gulosas, gulosas ou muito gulosas que irão comer os pratos. Haverá também descrição de pessoas formigas, aquelas que gostam muito de doces, pois cada um sabe a fome de vida que tem.
As folhas serão manchadas de farinha e gordura. As receitas serão lidas como oração, pois mesmo já decoradas de cor e salteado, faz parte do ritual acompanhar no papel.
Na descrição dos ingredientes será considerada uma falta grave não especificar que os ovos devem ser caipira na cor azul-esverdeado. A penalização será a falta de sabor.
Nesse caderno as receitas nunca serão anônimas. Elas farão referência aos afetos e sabores compartilhados à mesa ou fora dela. Haverá o Cookie da Marcilene, Creme bruleé da Helena, Bifes de peru com molho de cerejas e Favaios da Mané, Café ralo e doce da tia Lídia, Chuchu picadinho com bacalhau da minha mãe, Bolo de Banana da Thati, Biscoitos de fubá da Claudete, Bolo de Amêndoas e Frutos Silvestres da Andreia, Pizza do Giovanni, Biscoitão de Polvilho da dona Edméa, Pão de mel da Patrícia, Bacalhau com batatas da Lilia, Patê da Maria Paula, Macarron da Silvana, Mousse de Maracujá da Carol, Rabada da Flávia, Pamonha da dona Nega, Queijo do pai da Carmen, Beijinho da Lúcia Helena, Pão do Caio, Macarrão ao alho e óleo do meu pai, Gelatina com frutas e creme de leite da tia Natalina, Strudel da dona Helga, Bolo da Vera, Massa caseira da Márcia…
Quero um caderno com muitas folhas e que caiba todas as receitas que ainda não registrei – com a mesma quantidade das estrelas lá do céu.
Quero um caderno de receitas que tenha o sabor do quintal da minha casa. Entre os ingredientes haverá um pé de manga coquinho, de abacate manteiga, de jambo amarelo na cor e rosa no perfume, de goiaba vermelha com bicho, de limão capeta e uma parreira de maracujá com flores penduradas como se estivessem sido colocadas à mão para enfeitar o olhar.
Nesse caderno haverá indicações para que a cebolinha, a salsinha, o manjericão e a alfavaca sejam colhidos na hora. A couve terá piolhos e poderá ser descoberto um caramujo no meio das folhas de alface.
Na receita de batata gratinada poderá conter indicações para que as cascas sejam colocadas ao sol em cima da terra para secar e virar adubo, fazendo as verduras crescerem de modo destemido. Um exemplo vivo que a vida é recheada de ciclos.
No meu caderno o ora-pro-nobis, o umbigo de banana, a taioba e a serraia não serão figurantes, e sim as estrelas principais. O preparo de doce de feijão poderá ser uma forma torta para medir o amor.
A descrição das porções fará referência a quantidade de pessoas nada gulosas, gulosas ou muito gulosas que irão comer os pratos. Haverá também descrição de pessoas formigas, aquelas que gostam muito de doces, pois cada um sabe a fome de vida que tem.
As folhas serão manchadas de farinha e gordura. As receitas serão lidas como oração, pois mesmo já decoradas de cor e salteado, faz parte do ritual acompanhar no papel.
Na descrição dos ingredientes será considerada uma falta grave não especificar que os ovos devem ser caipira na cor azul-esverdeado. A penalização será a falta de sabor.
Nesse caderno as receitas nunca serão anônimas. Elas farão referência aos afetos e sabores compartilhados à mesa ou fora dela. Haverá o Cookie da Marcilene, Creme bruleé da Helena, Bifes de peru com molho de cerejas e Favaios da Mané, Café ralo e doce da tia Lídia, Chuchu picadinho com bacalhau da minha mãe, Bolo de Banana da Thati, Biscoitos de fubá da Claudete, Bolo de Amêndoas e Frutos Silvestres da Andreia, Pizza do Giovanni, Biscoitão de Polvilho da dona Edméa, Pão de mel da Patrícia, Bacalhau com batatas da Lilia, Patê da Maria Paula, Macarron da Silvana, Mousse de Maracujá da Carol, Rabada da Flávia, Pamonha da dona Nega, Queijo do pai da Carmen, Beijinho da Lúcia Helena, Pão do Caio, Macarrão ao alho e óleo do meu pai, Gelatina com frutas e creme de leite da tia Natalina, Strudel da dona Helga, Bolo da Vera, Massa caseira da Márcia…
Quero um caderno com muitas folhas e que caiba todas as receitas que ainda não registrei – com a mesma quantidade das estrelas lá do céu.
RETALHOS DO QUE SOU
VAN
HÁ EM MIM UM TANTO DE TERNURA E DOIS TANTOS DE BRAVURA
TALVEZ EU SEJA FORTE POR TER NASCIDO NAS MONTANHAS,
TALVEZ EU SEJA DOCE POR TER ME CRIADO EM MEIO AO DOCE SABOR DAS JABUTICABAS
TALVEZ EU SEJA BRAVA POR PERTENCER À LINHAGEM DOS QUE DESBRAVARAM E REVELARAM O SERTÃO, AQUELE DAS VEREDAS,
MAS TALVEZ EU NÃO SEJA NADA DISSO E ESTEJA APENAS DESCOBRINDO QUEM SOU...
HÁ EM MIM UM TANTO DE TERNURA E DOIS TANTOS DE BRAVURA
TALVEZ EU SEJA FORTE POR TER NASCIDO NAS MONTANHAS,
TALVEZ EU SEJA DOCE POR TER ME CRIADO EM MEIO AO DOCE SABOR DAS JABUTICABAS
TALVEZ EU SEJA BRAVA POR PERTENCER À LINHAGEM DOS QUE DESBRAVARAM E REVELARAM O SERTÃO, AQUELE DAS VEREDAS,
MAS TALVEZ EU NÃO SEJA NADA DISSO E ESTEJA APENAS DESCOBRINDO QUEM SOU...
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