domingo, 1 de janeiro de 2012

O Livro de Receitas da Vida



Se a vida fosse um livro de receitas, qual seria o seu prato principal? E qual a sobremesa favorita? Por certo, haveria um restaurante onde estes pratos poderiam ser degustados, mas você seria o chefe da cozinha? Ou todos trabalhariam ao acaso dos atos impensados? Qual seria o nome do espaço? Existiria uma inspiração, ou o cardápio se construiria como consequências das necessidades cotidianas?

As dúvidas formam um tempero essencial a qualquer prato especial, por que não existem receitas perfeitas e por isso a vida não é um livro com os modelos do que se deve fazer. Mas na vida o prato principal com certeza é o amor. Amor de homem e mulher, amor pelo escuro, por saber da existência do claro; pelo som, em agradecimento ao silêncio; pelo feio, que faz a beleza ter sentido; pelo abraço, que isola o mundo e faz parecer que só existe quem abraça e quem é abraçado.

A minha sobremesa favorita estaria sempre acompanhada de carinho, e a degustação seria aberta a todos. Na cozinha da vida é preciso que exista um chefe que aponte a direção dos sabores, dos amores. Assumir os riscos do impensado nos aproxima demais do erro, mas até os erros serão bem vindos quando acompanhados de boas lições. O espaço teria o seu nome associado a uma crença universal, a vida é a fonte do amor, então, se chamaria: Bistrô, Fontana Dell Amore.

Por fim, a inspiração estaria no viver... Um dia por vez, sem amarras que nos impedissem de sonhar, ou regras que dissessem que não se deve chorar. O cotidiano é uma delícia, para quem ama o que faz.

P. S. Em 2011 é possível que você sofra um pouco, chore e até se sinta sozinho. Mas lembre-se que a vida é uma receita inacabada, onde cada um pode colocar a sua pitada de tempero e torná-la única. Portanto, ame, sofra, chore, morra e ressuscite no dia seguinte para mais um pouco de felicidade... A vida é hoje!

A Alma e o Vendaval


A primavera se aproxima cheia de ausências: faltam flores nas janelas e esperança nos olhares. Sobram dores no peito que ama e falta espaço no quadro que não escrevo. Para onde vão os pensamentos que não se concretizam? Todo tesouro instiga a procura. Toda liberdade é felicidade e a flor que dança no vendaval representa minha alma sem saber pra onde ir.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ao meu amor...





... Só me apareça depois de ler "O Pequeno Príncipe"!
(eu espero!)



| Fabi Anselmo |



"- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro
um pouco longe de mim, assim, na relva.
Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada.
A linguagem é uma fonte de mal entendidos.
Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
Será melhor voltares à mesma hora.
Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde,
desde às três eu começarei a ficar feliz.
Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.

Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada:
descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento,
nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito?

- É uma coisa muito esquecida também.
É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias;
uma hora, das outras horas."

(O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupery)

Pode até ser tarja preta!


- Comece usando ao menos três vezes por dia a expressão ‘dane-se’. Lembrando que o uso em excesso não traz efeitos colaterais. Fique longe da perfeição. Experimente atravessar fora da faixa, se atrasar e xingar. Experimente exigir ao invés de pedir. E peça! Peça mais! Peça ajuda, consolo, aumento, sossego, carinho, atenção. Pare de dar atenção aos problemas que não são seus. Quanto aos seus, trate-os sem nenhum resquício de propriedade, dê passagem a eles ao invés de colo, porque eles chegam querendo ir. Vez ou outra, é aconselhável levar os problemas mais demorados pra dançar. Abandone a alimentação saudável. Perdoe e esqueça na mesma dosagem e com a mesma freqüência com que você se corrige, se desculpa e se culpa. Chore, mas chore fazendo barulho. Essa mania de catalogar as pessoas de acordo com os defeitos e limitações, pode matá-la... de solidão! Aceite que todos - isso inclui você - erram e não há nada de assombroso nisso e sim de humano. Aceite os seus defeitos e veja beleza neles sem precisar maquiá-los. Compre um saco de bater e nunca mais seja o seu próprio saco de bater. Descanse quando estiver cansada e também quando não estiver. Corte um bom pedaço do seu pavio. Olhe de volta pros caras que te olham e que te interessam... E pro seu próprio favor... arrume um namorado!

- Doutor, por acaso não há um tratamento menos alternativo? Eu só preciso de um remédio, pode até ser tarja preta, que me livre das crises de enxaqueca!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Os Barquinhos (ERA DIA DE NATAL)


Eu me lembrei de um natal que passamos numa fazenda de uns amigos dos meus pais. Tinha árvore de natal e ceia, mas os dias que antecederam, transcorriam na mais perfeita tranqüilidade, não tinha TV, apenas luzes de lampião e conversas em volta da mesa. Minha mãe resolveu nos ensinar a fazer barquinhos de jornal, depois de ler “O soldadinho de Chumbo.”Éramos seis crianças fazendo aula para o grande campeonato dos barquinhos. Jornal, um tubo de cola e lápis de cor. Era tanta alegria na confecção do lindo barco, risadas, crianças emburradas achando o seu barco o mais feio. Minha mãe circulava feliz, ajudava um aqui e refazia outro ali. Tudo pronto. Marchamos feito soldadinhos até a cachoeira e escolhemos um lugar onde a correnteza era leve. O céu ficou cinza e o cheiro de chuva exalava da terra, o vento soprava cada vez mais forte perto da cachoeira. Foi dada a largada, colocamos juntos os barquinhos na água. A torcida era grande.Próximo a chegada à chuva apertou. Pingos grossos começaram a cair forte sobre os pequenos barcos, que encharcados iam entortando e desmanchando. A torcida foi ficando muda. Os relâmpagos cortaram o céu, com força, próximos a cachoeira. Minha mãe, eterna Polyana, disse:
-"Acho que papai do céu gostou de todos os barcos, mandou uma chuva bem forte, para que todos os soldados fossem vencedores. Hora de comemorar. Vamos ao nosso lanche de natal, tem bolo xadrez com cobertura de chocolate, hora do amigo oculto, marchem soldados."Cortando os caminhos da mata, completamente ensopados de água e alegria, ouvindo o trovão que insistia em nos lembrar à hora de voltar para casa. Caminhamos em direção à fazenda, enquanto nossos barcos afundavam na cachoeira. Era dia de natal, muitas vezes lembranças como essa, faz esse dia um dos dias mais importantes de nossas vidas!

Denise Portes

Imagem


São tantas histórias guardadas em versos e tantas imagens desenhadas e essa emoção desmedida, esse amor pela vida.
Tesouros em potes, caminhos em galhos, colados no peito, pulsando em sangue pela tela vermelha da minha esperança na vida.
Denise Portes

SAUDADE

(Gilka Machado


De quem é esta saudade

que meus silêncios invade,

que de tão longe me vem?


De quem é esta saudade,

de quem?


Aquelas mãos só carícias,

Aqueles olhos de apelo,

aqueles lábios-desejo...


E estes dedos engelhados,

e este olhar de vã procura,

e esta boca sem um beijo...


De quem é esta saudade

que sinto quando me vejo?