terça-feira, 9 de outubro de 2007

ONDE ESTÃO OS ARCOS-ÍRIS


João Almeida


Ontem,

um Arco-íris

apoiado na beira do rio

bebia água.

A água subia por suas veias

coloridas e eram despejadas

nas nuvens.

Arco-íris da minha infância

fazia chover

no entardecer silencioso

daqueles tempos...

Hoje,

parece que vazaram

as veias dos arcos-íris

e suas cores esparramadas

pelo tempo se apagaram,

deixando um traço no céu

mais triste do que “flicts”

Que tempos são estes?...


Obs: Flicts é uma cor criada por Ziraldo num dos seus poemas inocente e lindo:


"Era uma vez uma cor

muito rara e muito triste

que se chamava Flicts...

Tudo no mundo tem cor

tudo no mundo é

azul

cor de rosa

ou furta cor,

é vermelho ou amarelo.

Quase tudo tem seu tom,

roxo, violeta ou lilás.

Mas não existe no mundo

nada que seja Flicts.

---nem a sua solidão....

Obs. Gostaria de transcrever todo poema, mas no momento é o que me lembro, o restante ficou no livro lá onde eu espero ainda admirar muitos arcos-íris, meu querido Recanto Verde.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

"Ciço Cerqueiro":


José Inácio Vieira

O meu é fazer cerca:

cavar buraco, aprumar mourão,

esticar arame com pé de cabra,

apregar grampo nas estacas.

Em troca peço pouco

basta me dar leite azedo

rapadura, farinha e uma hora

de sombra de pé de pau.

Precisa mais nada não!

Me dê coalhada todo dia

que eu cerco o mundo

pros bichos não se perderem.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

E

João Almeida

E esse meu amor!
Perdido,
Despercebido, esquecido...

E essa minha dor!
Sem gemidos,
Sem ouvidos.

E essa vontade
De chorar,
E ainda sonhar...

E essa voz presa
e esse canto
que não canto...

E...
Nada mais...
Ou tudo mais...

sábado, 1 de setembro de 2007

Fragmentos do "livro". Três estrofes para uma grande amiga

José Vartan

É você a poetisa.
Falando dos passarinhos,
Em prosa faz seus versinhos,
Pois de rima não precisa.
Do seu peito brota a fonte
Que esparge toda a beleza.
Você é mais que um poema
Exaltando a Natureza.
Segue em frente confiante
Ante os percalços da vida,
Contra pedras joga flores:
Dália, rosa, MARGARIDA.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

PAI


João Almeida


Seo Dedé

me deu uma penca

de conselhos!

pendurei todos na minha vida...

É certo que às vezes

escorrego quase caio,

mas quando me equilibro

bem me digo, viu?

Pai, você só não me ensinou

como engolir saudades!

A suportar doces lembranças

nem a perversidade da ausência!

Também não poderia!

O seu exemplo basta!

Tão simples,

que se confunde

com o silencio

onde viaja a meditação...

Tão doce

como o caldo da cana

que suas mãos

descascaram

servindo os primeiros gomos

só p´ra nós



terça-feira, 28 de agosto de 2007

COLHER DE PAU

Cássia Pires


Com uma rosa presa nos cachos dos cabelos
e seu vestido branco de fustão,
preparou um bocado de sopa de gengibre,
enquanto chorava três poças de desalento.

Não sabia que gengibre era amargo.
Nem eu, vó, nem eu.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

DÚVIDAS

João Almeida


Um canto,

uma semente.

Uma gota d´agua!

Mais uma,

mais outra...


Um sinal...

Numa manhã

aquecida

atingida por flechas

atiradas pelo sol

uma planta sem nome

rompe o solo...


Duas noites depois,

folhinhas

espalmadas

de verde bem corado

Se expõem...

Mas isto

é pé de que ?


De esperança!

Desilusão talvez...

Alegria,

tristeza,

sonhos...

Quem sabe pesadelos...


Indefinição,

e a planta

foi crescendo

sem nome...

Dará flores e frutos,

ou só frutos ?

ou só flores?


Se foram dali...

Ficou a planta

crescendo sozinha.

Ficou adulta,

botou flores,

serviu uns frutos lilás

aos passarinhos,

renovou as folhas.


E lá se foi o tempo...

Surgiram num amanhecer

um espanto.. por que?

Ninguém sabe dizer,

a planta mistério

morreu sem batísimo,

sepultada com as sementes,

nada restou.


Mas eram lindas!

as flores em cachos,

vestiam o corpo inteiro

das galhas esguias

pendidas beirando

o chão.


Alegria interrompida,

uma tristeza,

uma saudade

no canto do coração.

As lágrimas gotejando

na incerteza.

Que germinará no meu peito,

Um pé de que?