quinta-feira, 20 de março de 2008
VOU EMBORA
Vou embora, vou embora eu aqui não fico mais...
Meus pés gritam por liberdade, já não conseguem fazer o show em cima dos saltos. Minhas mãos estão cansadas do toc toc das teclas. Minha pele reclama do perfume francês, quer o aroma que exala do patchulin nascido ao acaso, irrigado pelas águas que correm pelos regos despejadas dos canos. Meus olhos já não fotografam mais a beleza do concreto transformado em arte. Meu paladar rejeita o gosto do pão misturado com bicarbonato. Meu corpo cansou dos estofados macios forrados de tecidos fabricados por máquinas robóticas; clama pelo tapete verde da relva, que o embala ao som do rio que corre sem nunca parar em busca do seu puro e satisfeito gozo - a pororoca. Quero mesmo é sentar-me à tarde sob a copa das árvores para vê os meus amigos passarinhos brincarem, tomarem banho, gorjearem... E ao entardecer colocar um som bem cafona - de preferência sertanejo, daquelas duplas bem antigas como Milionário e José Rico - moda de viola, seresta, boleros, enfim tudo que fale de natureza ou romantismo.
Quero colocar a mão na terra, sorrir de felicidade com o desabrochar do primeiro botão de flor daquela plantinha, que cresceu cercada de tantos cuidados, de tanto amor. E os frutos suculentos das mangueiras, cajazeiras, goiabeiras, jambeiros, bananeiras, ateiras ... Que me perdoem as ervas-daninhas, mas nada mais gratificante que vê as hortaliças todas verdinhas, livres do abraço dessas danadas que sufocam e matam, a balançarem as folhas ao mínimo sinal de brisa, como se querendo dizer muito obrigada. É sublime!
Liberdade aqui? Que nada! Sucumbiu entre as paredes de um apartamento chaveado, gradeado, como se fossemos nós os animais, enquanto as bestas-feras andam livres fazendo vítimas e mais vítimas com seus instintos selvagens.
Vou embora, vou embora, eu aqui não fico mais...
sábado, 16 de fevereiro de 2008
COMPORTAMENTO
Ruy Maurity
Composição: Ruy Maurity / José Jorge
Já não tenho guardado comigo
O antigo brinquedo
Que durante um bom tempo da vida
Só me deu prazer.
Nem por isso estou menos contente ou desencantado.
Aprendi que a vida tem mesmo que acontecer...
Já não tenho vergonha
Das roupas usadas que eu ganho.
Não confiro o troco
É pouco o que tenho a perder.
Cada um traz no bolso a chave do mesmo tamanho.
Descobri que sei tanto de mim quanto sei de você...
Sim, é verdade muito embora difícil de crer,
Eu troquei meu passado por nada,
Pois cansei de brincar de esconder.
Não esquento a cabeça, não ligo,
Se o que foi poderia não ser
O presente nascendo comigo,
Toda vez que eu olho pra ver...
domingo, 10 de fevereiro de 2008
E POR QUE ?
E por que isso morena?
Ainda que não valho a pena,
por que ?
Não seria eu
Um intruso com boas intenções?
Estavas só
quando me aproximei...
Interrompi sua espera
que não era por mim.
Mas por que?
Porque era eu que te queria
me oferecendo sem inquirir
se me querias...
não me lembro
se insisti tanto
até te ter nos braços,
e malinando tanto
você foi gostando
e ficando,
talvez acorrentada no prazer.
Arrependimento
me tornou insosso, sem sabor,
alimento que não
lhe satisfaz mais.
Está claro! O quanto gostas
e não gostas de mim.
Mas eu sim,
Dono de um imbecil querer,
Que nem sei
Se lhe devo chamar de amor.
Forte!
Tão, que só eu sei
Quanto é frágil
O que resta dentro de mim.
sábado, 26 de janeiro de 2008
SAUDADE EM QUADRAS
Maria, só por maldade,
deixou-me a casa vazia...
Dentro da casa: saudade!
E na saudade: Maria!
( Anis Murad - RJ )
Saudade, a ponte encantada
entre o passado e o presente,
por onde a vida passada
volta a passar novamente
( Archimino Lapagesse _RJ)
que tu deixaste vazia,
o meu chinelo reclama
o teu chinelo - Maria.
( Anis Murad - RJ )
Ah, coração, tem piedade...
Batendo tão forte assim
vais acordar a saudade
que dorme dentro de mim...
( Orlando Brito - São Paulo )
Um carro de bois cantando
na tarde que morre em ânsia,
vai, pesado, carregando
saudades de minha infância.
( Denancy Mello Anomal - Campos )
Foi tão bom o amor de outrora
que contigo já vivi,
que estando ao teu lado agora,
sinto saudades de ti...
0(Zaira de Azevedo Conrado Leite )
De Portugal foi trazida
veio da Minho ou da Beira.
Hoje ninguém mais duvida
que a saudade é brasileira
(Osório Dutra - RJ )
Um carro de boi gemendo,
um longo apito de trem,
uma porteira rangendo,
isto é saudade também!
(Carolina Azevedo de Castro - Petrópolis )
Saudade é noite de lua,
entre sobrados antigos,
e a gente só, numa rua,
lembrando velhos amigos.
( Consuelo Jardim de Miranda - BH )
A Saudade da Bahia
tem o agridoce do umbu,
o cheiro da manga-rosa,
o pigarro do caju
( Jayme de Faria Góis -Rio )
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
É PRECISO SABER...
Pitanga Doce
Quando o cansaço vem fundo
Quando dormir é difícil
Quando as noites são longas
É hora de parar
Quando os pensamentos se confundem
Quando o corpo reclama
Quando o coração grita
É hora de voar
Mas quando braços te amarram
Quando vozes se levantam
Quando a vida te impede
Então, é hora de chorar.
domingo, 25 de novembro de 2007
Canção do dia de sempre
Mario Quintana
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
VIDA CURTA DEMAIS?
Não sei...
se a vida é curta ou longa demais pra nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
Seja nem curta, nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura...
Enquanto durar...