quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O BEIJO DA CHUVA

Postado por Milene Lima



Lá fora a chuva ensaia passos de dança pelos tetos dormentes. Há muito tempo não se ouvia do céu a canção das águas sobre o chão seco e noturno. Quem cedo adormece o corpo doído, não escuta a sua música. Não vê a sua dança insinuante lavando paredes imundas de tanta estranheza, banhando de renascimento a matiz desbotada de árvores e olhos. Seu véu de água é poesia generosa quando se derrama do começo do céu, a beijar por inteiro o chão árido e triste. E na batida macia das suas águas, janelas e portas despertam e sabem da precisão de aceitar os novos passos de vida na dança bonita da chuva. Sua canção de alegria desperta a fé que teimava cochilo e agora, até onde não alcança o olhar cansado, há uma inundação de esperança e motivo bom pra se esperar o amanhecer. 

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