quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Bambino
E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar
E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há
E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor
E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor
E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal
Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final
E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar
Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar
Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar
E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A Lista
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
terça-feira, 30 de agosto de 2011
ADEUS MAMÃE!
Durante os nove dias que a Senhora ficou na UTI, eu e Maria ocupamos seu quarto, a sua caminha, mas queríamos lhe devolver....mas de lá você partiu...
Que saudade Lídia!!
Não uma saudade qualquer.... mas uma saudade grande!
Quando a saudade é demais, não cabe no peito: escorre pelos olhos.
Chorei a minha saudade!
Não posso dizer muita coisa... o meu coração está calado pois só fazem poucas horas de uma despedida muito dolorosa!
Adeus MAMÃE!
10/08/2011
A GENTE SE ACOSTUMA
Marina Colassanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
TE AMO MÃE! TE AMO! TE AMO
João Almeida
Hoje de repente, fui parar num mundo muito triste.. . Numa UTI hospitalar, que por conseqüências indesejáveis hospedou minha QUERIDA MÃE LIDIA.... Apesar da competência desta unidade, mãe não merecia ir pra lá.
TODOS CANTAM SUAS MÃES E EU QUERO CANTAR A MINHA!
Dona LIDIA grande exemplo de ser humano! Grande em tudo! Merecedora de tudo que é bom, não uma parte... não um pouquinho, mas tudo que é bom. De modo que foi um choque ver minha mãe sedada, numa cama cheia de barras de segurança que não me deixou lhe dá um cheirinho, muito pior não receber dela aquele cheirinho puxado que ela me dava quando lhe visitava em casa.
TUDO MUITO TRISTE PARA NÓS!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
AFLÁVEL
José Abbade
Na ausência de tranças
Menina ainda dança,
Pula e chapinha na poça?
Mulher, moça, criança
Quem dirá ao certo
O que, de perto, nem ela sabe?
E a ninguém cabe definir.
Pipoca, novena, tabuada ou lingerie
Rótulo não contempla o fundo
Ela, sozinha, ri do mundo
e suas cidades, obviedades
que muitos preferem eternizar
Atos comuns ensaiados
em roteiros já desgastados
pelas hordas do lugar comum.
Mas ela, sutil traquina
Propõe sua nova sina.
Holofote ou lamparina,
O importante é luz.
E, assim, conduz suas linhas
Escrita fina, porém marcante
Que tempo e traça não destrói.
A sóis, luas e ventos
Seu velejar leve, lento
Revela-se em riscos de mar.
Mostrando apenas a menina
Que a cada momento ensina
O que é viver. O que é sonhar.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
FELIZ DIAS DAS MÃES, MARIA!
João Almeida
Remexendo uma pasta de Maria (Quinha) encontrei dois depoimentos de um dos nossos filhos, um para o dias das mães , o outro para um aniversario. O primeiro parece mais antigo, pelo texto tive este sentimento. Já o segundo parece ser da fase de adolescência. Emocionado pela saudade tomei a liberdade de publicar o que chamo de documento , pois as palavras assim sugere, mas é também a minha homenagem a ela que merece ter o mesmo respeito dos doces tempos das nossas vidas.
João Almeida.
“Mãe.
Se for para representar o que sinto por você através das flores tenho que lhe dar a floricultura inteira. E se for para representar através da escrita uma folha não seria suficiente, então resolvi escrever umas simples palavras:
Te amo, é muito bom saber que tenho você perto de mim me protegendo para que nada de ruim me aconteça, simplesmente você é a melhor mãe do mundo.
Beijos.......
Mãe.
Quero lhe dizer muitas coisas, são tantas coisas que nem sei por onde começo.
Em primeiro lugar queria lhe desejar um feliz aniversário, em segundo queria lhe dizer que não hámãe melhor que você. Uma mãe que compartilha com os filhos, uma mãe que sempre dá um jeitinho em tudo, uma mãe que faz com que todo mundo que esteja ao seu lado se alegre, uma mãe carinhosa, uma mãe alegre, uma mãe bastante liberal uma mãe que nos acompanha em todas as festas que vamos. São tantas qualidades que tenho a dizer a você que uma folha não seria suficiente, mas não pense que já acabei, tenho uma coisa para lhe dizer.
TE AMO! VOCÊ É A MELHOR MÃE DO MUNDO, NOTA 1000 PARA VOCÊ